TOMAÉL, Maria Inês; ALCARÁ, Adriana Rosecler; CHIARA, Ivone Guerreiro Di. Das redes sociais à inovação. Ci. Inf., Brasília, v. 34, n. 2, p. 93-104, maio/ago. 2005.
O artigo de Maria Inês Tomaíl, Adriana Rosicler Alcará e Ivone Guerreiro Di Chiara aborda mecanismos de compartilhamento de informação e conhecimento tendo como determinante neste processo a formação de redes. Para tanto, na explanação apresentada é utilizado um amplo referencial teórico com citação de alguns autores para enriquecimento do tema.
Segundo as autoras a configuração em redes, estabelecida conforme interesses, se expande à medida que ocorre sua inserção em determinadas realidades sociais. Assim, na família, na escola, na comunidade em que vivem ou em outros ambientes a interação entre os indivíduos cria bases e gerando informações relevantes para o setor em que atuam podendo se dar de forma formal ou informal.
O aprimoramento e o acesso facilitado à tecnologia favorecem e são importantes aliados nas redes de informação apesar de não substituir o contato pessoal.
Atualmente a informação e o conhecimento são vistos pelas organizações como diferenciais competitivos, podendo convergir para o capital intelectual da organização. As autoras citam Ducker (1992) que afirma ser a informação um fator de produção importante para a obtenção de vantagem competitiva, uma vez que fatores tradicionais – terras, mão-de-obra e recursos financeiros - por si só não garantem a competitividade. Contudo, o grande desafio enfrentado pelas organizações é qualificar o conhecimento disseminado, por meio das múltiplas redes estabelecidas, de forma que este produza de fato aprendizado, uma vez que o conhecimento só gera valor se modifica atitudes.
Nessa perspectiva, segundo Fleury e Fleury (1995, p. 19), “é um processo de mudança, resultante de prática ou experiência anterior, que pode vir ou não a
manifestar-se em uma mudança perceptível de comportamento”. As autoras defendem, então, que “a aprendizagem organizacional tem como objetivo principal resultar em inovação, na qual as pessoas aprimoram continuamente suas capacidades, trabalhando juntas na investigação ou em assuntos de maior complexidade, visando a conscientizar-se para profundas modificações pessoais, em que possam questionar constantemente seus modelos mentais e criar ambientes seguros para que outras pessoas façam o mesmo”.
Inovação é entendida aqui como um processo interativo que ocorre com a contribuição de vários agentes (econômicos e sociais), Lemos (199, p.135) defende que a formação de redes é “o formato mais adequado para promover o aprendizado intensivo para a geração de conhecimento e inovações”.
Sendo assim, para que as redes consigam promover um aprendizado com significado é preciso levar em consideração diversos fatores internos e externos à organização, que possam contribuir para o compartilhamento de informações e experiências com o objetivo de aprofundar o aprendizado organizacional e, por conseqüência auxiliar na construção de novos conhecimentos.
Portanto, analisando a síntese e a argumentação contidas no artigo pode-se concluir que as organizações encontram nas redes de conhecimento uma importante estratégia de aprimoramento do capital intelectual a ser transformado em diferencial competitivo nas empresas.
Além disso, as organizações são formadas por pessoas e estão agrupadas em uma rede social com diversidade de conhecimento e habilidades. A interação e o compartilhamento dessas características resultam no acumulo de novos conhecimentos e impulsionam as inovações. A conseqüência dessa interação social é a promoção e o desenvolvimento local, com influência direta na expansão econômica e social de uma nação.
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